Blog Boteco da poesia


07/04/2010


Reféns

Se ausento-me da vida 
é porque eu me perco 
em meio às tantas perguntas
e viagens imaginárias,
tentando achar o caminho de retorno
ao útero materno,
de onde eu não deveria ter saído.

Eu, guardada pelo silêncio solidário,
oro e sigo com o meu calvário,
simulando sorrisos para apagar
a evidência da incompreensão 
do rostinho de meu neto,
e, assim, não consigo mais 
fazer o que me apraz. 

Ó dor percuciente do autismo medonho,
vestido de preto, sem o branco; desumano!
Como se não lhe bastasse 
fazer de refém o meu amado, 
faz-me assim também,
além de haver levado para longe
todos os meus sonhos, 
juntamente com a esperança
de envelhecer-me em paz.

Chicago, 28/03/10

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Escrito por Mariza Brasil às 14h08
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Nem eu mesma sei
 
Rego os meus olhos
com a água e o sal deles mesmos
e, assim, terei as lágrimas
que derramarei amanhã,
talvez de alegria ou de tristeza…
Nem eu mesma sei.

Depois, acolho em meus braços
outros bracinhos que, vez por outra,
se mostram recíprocos
e me permitem iniciar a brincadeira.
Sorrisos, beijinhos e carinhos,
cócegas, corridas, gargalhadas,
fazem de conta que está tudo bem;
que não existem dores nem tristezas
e nós dois somos felizes neste mundo também.

É justamente quando eu me conscientizo
do paradoxo entre a minha fé
e algo mais que é tão profundo, maldito,
e em minh’alma se encontra escondido,
que muito me desestrutura
e numa infinita tristeza me detém…
Nem eu mesma sei como referir-me a esse algo,
pois, se nem nome isso tem.
 
Chicago, 24/12/09

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Escrito por Mariza Brasil às 14h03
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