Blog Boteco da poesia


02/12/2009


Desencontro das horas

Este desatino do instante, do vazio,
do desencontro das horas,
do momento que se eterniza,
ah, essas horas de desvario!
O delírio da esperança
que apressa a minh’alma a orar.
O desacerto dos passos
do longo dia que desmaia,
mas não termina,
me fala do descompasso dos ponteiros…
Até o tiquetaque está desordeiro.
 
A despeito do desvario,
espero, ao pé da porta,
a imagem dele sair do meu devaneio,
caminhar até a mim,
se achegar e confundir meus olhos
com a ilusão que é ele
em forma, feição, verdadeiro.
Tirar-me deste delirioso estado
no momento em que eu o sentir
beijando, novamente,
o meu corpo por inteiro.
 
 Chicago, 10/12/07

Imagem: Extraída do Google norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 01h31
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Provocação       

Quando vejo a tua figura na rua,
tenho ciúme dos olhares que te alcançam,
cobiçando serem donas de tudo que tu insinuas
visto que tens vida, alma e carisma
e tens também uma magia toda tua
que borbota da tua pele
quando andas pelas ruas.

Teu corpo movimenta e esquenta
aquela que para ti ousar olhar
e são tantos pensamentos que provocas
com o teu caminhar pelas ruas
que estou pronta a me declarar.

Desejo ser o par dessa pintura provocante
que caminha, acirrando os mais ardentes desejos,
deixando-me fraca, desorientada e abismada,
não sabendo mais o que fazer.

Por qual razão ages assim é difícil de entender
porque depois desapareces na esquina
fingindo que não sabes o quanto me provocas
para amanhã novamente voltares
e tudo eu sentir outra vez.

Rio, 17/04/02

Imagem: Obra de Garry Benfield, pintor norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 00h55
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