Blog Boteco da poesia


26/04/2008


Oferenda
 
Dar-te-ei a minha vida amadurecida,
Curtida pelo tempo que ainda está curtindo a ti.
Darei os abraços apertados, os sorrisos largos,
Os beijos fogueados, um amor desregrado,
Reservados para quando estiveres aqui.
Existirá a fidelidade, a amizade duradoura
De uma mulher já vivida, acumulando com os anos
A experiência de saber que pode te ofertar
O que agora está, a duras penas,
Sendo ensinado a ti.
 
Dar-te-ei a bonança, o amor e uma vida simples,
A segurança que tanto procuras
Sem rompantes nem crises existenciais.
Ainda, dar-te-ei os meus tranqüilos passos,
Olhos ternos, compreensão e gestos precisos
Na hora certa e sem desvario
E passarás a conhecer os meus sinais.
 
Darei a ti a minha pessoa, sem resguardos,
Ou outros necessários cuidados
Porque não sangro mais.
Dar-te-ei, certamente, a voz que canta
E nos teus ouvidos, com lirismo, vai sussurrar.
Dar-te-ei a minha presença diária
E o meu coração sossegado,
Sem te impor condições.
Além de tudo isso, serei o teu ponto de apoio,
O porto seguro, por saber como tu te sentirás
Quando te perderes nas diárias aflições.
 
Dar-te-ei a juventude escondida dentro deste peito
Por saber que a tua há muito desencantada está.
Darei também a leveza e a graça de uma mulher
Sem truques ou artimanhas, sem sofisma,
Que muito feliz te fará!
 

Rio, 5.08.02

Direitos autorais registrados.

Imagem: "Serenidade" - Obra do pintor norte-americano Patrick J. Reynolds.

Escrito por Mariza Brasil às 00h13
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24/04/2008


 

 

Melancolia (poesia subliminar)
 
Celina Figueiredo/Mariza Brasil

 
Tarde cinzenta,
Coração partido,
Alma emudecida.
 
Tarde
que se afasta do dia.
Cinzenta
e imensa nuvem ainda solta no céu;
Coração
retraído por pulsações lentas e
Partido
ao meio pela sentida melancolia.
Alma que espera reencontrar a paz perdida e,

Emudecida, mentaliza a prece da Ave-maria.
 
Chicago, 23.04.08

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Imagem: Extraída do Google norte-americano.

Escrito por Mariza Brasil às 11h43
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22/04/2008


 

Eu e tu

(Resposta da Poesia ao lamento de Celina)

Não creias que eu fujo de ti!

Eu estarei sempre em ti
Para te manifestares sempre em mim
E mesmo que tu te cales,
Eu te peço que não fujas,
Levando os teus versos de mim!

Tu poetizas o teu estado lírico,
Trazendo-me à tona
Para muitos olhos me lerem.
Escrevendo-me com a tua mão materna,
O calor do teu útero poético,
Num balanço de grande querer,
Me aquece e me manifesto
Em agradecimento por este mágico viver.

Em perfeita comunhão
Com a tua magia e inspiração,
Minha poetisa, ainda dizes,
Humildemente, que sou eu
que te componho,
Poetificando os teus sonhos.

Como posso fugir de ti?
Se é maravilhoso ser parte tua,
Ser a tua alma poética
E os teus pensamentos
Serem o meu abrigo?
És tu que me escreves
Em teu seio materno
E me concedes a vida
Quando versejas em mim!

Percebes as muitas maravilhas
Que tu me concedes?
Então! Por qual razão
Minha preferida poetisa,
Eu fugiria de ti?

Chicago, 22.04.08

Direitos autorais registrados.

Imagem: O Tesouro da Santa Felicidade - Obra da pintora norte-americana Kamille Coory.

Nota: A poesia que inspirou esta resposta é de autoria de Celina Figueiredo, poetisa amadora, professora de Literatura e Letras (Francês), escreve para o portal do Recanto das Letras (www.recantodasletras.com.br).

O texto de referência foi publicado no dia 20 do mês em curso, sob o número T954136.


Escrito por Mariza Brasil às 11h01
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20/04/2008


 

Abalo existential
 
(Quando o amor mundano está acima dos Mandamentos de Deus)

 
Mexeste com as minhas crenças,
Arranhaste a minh’alma,
Quebraste os meus santos,
Zombaste da minha
.
Brincaste com a realidade,
Maculaste a minha quase extinta
santidade, arrancaste o meu véu,
Mais a auréola santificada
Dos sonhos meus.
 
As minhas mãos estão à procura
Do meu rosário de pedras negras,
Tão idênticas à cor dos olhos teus,
Mas sei bem que tu o escondeste.
Rasgaste as minhas
orações
,
Duvidaste de minhas convicções,
Me levaste à fogueira dos desejos
Quando jogaste fora a água benta
E me arrastaste pelas correntes
Das águas turvas dos rios teus.
Calaste as minhas ilusões,
Endureceste o meu
coração
,
Ensinaste-me as tuas imprecações,
Anulaste o meu matinal
sinal da cruz
Para não me defender dos encantos teus.
 
Deixaste de falar-me a verdade
E violentaste os teus limites.
Enterraste-me ainda em vida
No mortal pecado
Quando me serviste no cálice da amargura
O vinho santo mesclado com a dor,
Que me embebedou, e procuro me curar
Desta ressaca orando no mundo da tristeza,
De onde nenhum filho do
Todo Poderoso
,
Sem o
arrependimento e a
, sobreviveu.

Agora quem se compadecerá
Do pranto meu?
Somente
Deus!
 
Chicago, 18.04.08

Direitos autorais registrados.

Imagem: DEUS - segunda a visão de Michelangelo.

Escrito por Mariza Brasil às 14h14
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Encontro noturno (poesia subliminar)
 
Sono. Fôlego lento, olhos cerrados.
Seios soltos, descobertos,
Tocados... Desejos despertados.
 
Sono,
luzes semi-apagadas clareiam o semblante sereno.
Fôlego
que move suavemente o peito da mulher amada,
Lento,
menos que o tiquetaque do relógio.
Olhos
que guardam as histórias que existem neles, pois,
Cerrados
estão pelo sono profundo.
Seios
escapam da camisola transparente.
Soltos,
mas firmes no corpo que o atrai.
Descobertos,
como se se oferecessem a ele,
Tocados
são com ternura por suas mãos inesitantes…
Desejos
iguais aos da distanciada adolescência
Despertados misteriosa e inesperadamente.
 
Chicago, 15.01.08

Direitos autorais registrados.

Imagem: Obra do pintor norte-americano Gary Benfield.

Escrito por Mariza Brasil às 00h56
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