
Oferenda
Dar-te-ei a minha vida amadurecida,
Curtida pelo tempo que ainda está curtindo a ti.
Darei os abraços apertados, os sorrisos largos,
Os beijos fogueados, um amor desregrado,
Reservados para quando estiveres aqui.
Existirá a fidelidade, a amizade duradoura
De uma mulher já vivida, acumulando com os anos
A experiência de saber que pode te ofertar
O que agora está, a duras penas,
Sendo ensinado a ti.
Dar-te-ei a bonança, o amor e uma vida simples,
A segurança que tanto procuras
Sem rompantes nem crises existenciais.
Ainda, dar-te-ei os meus tranqüilos passos,
Olhos ternos, compreensão e gestos precisos
Na hora certa e sem desvario
E passarás a conhecer os meus sinais.
Darei a ti a minha pessoa, sem resguardos,
Ou outros necessários cuidados
Porque não sangro mais.
Dar-te-ei, certamente, a voz que canta
E nos teus ouvidos, com lirismo, vai sussurrar.
Dar-te-ei a minha presença diária
E o meu coração sossegado,
Sem te impor condições.
Além de tudo isso, serei o teu ponto de apoio,
O porto seguro, por saber como tu te sentirás
Quando te perderes nas diárias aflições.
Dar-te-ei a juventude escondida dentro deste peito
Por saber que a tua há muito desencantada está.
Darei também a leveza e a graça de uma mulher
Sem truques ou artimanhas, sem sofisma,
Que muito feliz te fará!
Rio, 5.08.02
Direitos autorais registrados.
Imagem: "Serenidade" - Obra do pintor norte-americano Patrick J. Reynolds.





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