Blog Boteco da poesia


24/11/2010


Inconformidade
(Para o Dylan)

 
Traços de inconformidade são vistos em mim,
são sentidos nas minhas palavras,
nos esboços de meus sorrisos e olhares aflitos
dirigidos para o teu rosto, neto amado.
No teu mundo sem cor, sem brilho,
totalmente sombrio
não existe espaco para mim.
 
Tu continuas alheio a todos
em obediência ao silêncio
que te abraça e te detém.
É o meu maior suplício
essa fera maldita que te arranha,
te acua, te amedronta e te anula a voz.
É um tormento sem fim
ver-te tão perto e imensamente distante,
com o olhar perdido,
furtando-me o esplendor de ter
teus lindos olhos direcionados para mim.

Ai, meu Lovezinho! Quão imensa é a dor
que, agora, se abriga em mim...
Sem fim!
 
Chicago, 10.02.10
Direitos autorais registrados

Escrito por Mariza Brasil às 09h26
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06/09/2010


Celina Figueiredo
 
Lufadas de alegria, felicidade,
dores, lágrimas, preces,
longas esperas, labutas,
correria, calmaria
e a tu’alma escrevendo
sobre a beleza que em ti abrigada está.
 
O amor diariamente repartido
como se fosse pedaço do bendito pão
e ofertado por tuas carinhosas mãos,
embora estando elas ocupadas
com teus criativos pincéis,
as letras e a caneta, com o Recanto,
teus leitores e fãs,
a multiplicidade de amigos
e teus momentos de oração.
 
Hoje completas 81 gloriosos anos
e tu continuas forte, corajosa e ativa,
mostras o quanto és capaz
enquanto os teus anos
fazem-te rara e te embelezam mais ainda
salpicando sobre os teus cabelos
gotas da cor da paz.
 
Belo Horizonte, 6/09/2010

Imagem: Extraída do Google norte-americano.

Direitos autorais registrados.

Feliz aniversário, nobre amiga! Que Deus Pai continue a te abençoar em todos os dias dessa linda e corajosa estrada

que caminhas com dignidade e amor e, assim,  considero-me uma das muitas felizardas de sentir a honra de te ter como querida amiga.

                                                                     

Escrito por Mariza Brasil às 09h06
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07/04/2010


Reféns

Se ausento-me da vida 
é porque eu me perco 
em meio às tantas perguntas
e viagens imaginárias,
tentando achar o caminho de retorno
ao útero materno,
de onde eu não deveria ter saído.

Eu, guardada pelo silêncio solidário,
oro e sigo com o meu calvário,
simulando sorrisos para apagar
a evidência da incompreensão 
do rostinho de meu neto,
e, assim, não consigo mais 
fazer o que me apraz. 

Ó dor percuciente do autismo medonho,
vestido de preto, sem o branco; desumano!
Como se não lhe bastasse 
fazer de refém o meu amado, 
faz-me assim também,
além de haver levado para longe
todos os meus sonhos, 
juntamente com a esperança
de envelhecer-me em paz.

Chicago, 28/03/10

Direitos autorais registrados
Imagem Extraída do Google norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 14h08
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Nem eu mesma sei
 
Rego os meus olhos
com a água e o sal deles mesmos
e, assim, terei as lágrimas
que derramarei amanhã,
talvez de alegria ou de tristeza…
Nem eu mesma sei.

Depois, acolho em meus braços
outros bracinhos que, vez por outra,
se mostram recíprocos
e me permitem iniciar a brincadeira.
Sorrisos, beijinhos e carinhos,
cócegas, corridas, gargalhadas,
fazem de conta que está tudo bem;
que não existem dores nem tristezas
e nós dois somos felizes neste mundo também.

É justamente quando eu me conscientizo
do paradoxo entre a minha fé
e algo mais que é tão profundo, maldito,
e em minh’alma se encontra escondido,
que muito me desestrutura
e numa infinita tristeza me detém…
Nem eu mesma sei como referir-me a esse algo,
pois, se nem nome isso tem.
 
Chicago, 24/12/09

Direitos autorais registrados

Imagem: Extraída do Google norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 14h03
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26/01/2010


 

Histórias noturnas

Enxergo-te nos cômodos e cantos da casa

e, através da janela, 

nas tantas esquinas da minha vida; 

nos longos caminhos que caminho

de mãos dadas contigo, em pensamento,

e até mesmo nos dias embaçados pela neblina.

É tudo tão preciso, tão transparente,

que posso ver-te em estado pleno.

Enxergo-te tão  real, 

bem mais nítido que na fotografia 

do porta-retrato do outro lado do meu quarto;

bem mais vivo daquela que te identifica

na tua carteira de identidade.

Muito mais próximo de quando tu dormias

agarrado em mim demonstrando medo

de que eu me fosse de ti.

Bem mais excitante que o teu rosto de hoje no espelho,

quiçá amargurado e silenciado pela solidão

das muitas manhãs tuas sem mim.


Chicago, 22.01.10

Direitor autorais registrados.

Imagem: “Histórias noturnas” - Obra de Sally Storch, pintora norte-americana. 

 

Escrito por Mariza Brasil às 13h19
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09/01/2010


Tarde de alegria

Um mocassim esquecido à beira-mar
revela certa tarde aquecida
por mergulhos de muita alegria.

Chicago, 10.01.10

Imagem: Extraída do Google norte-americano.

Escrito por Mariza Brasil às 17h51
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Sul e Sudeste brasileiros

Meio-ambiente neglicenciado;
Família(re)s  morrem soterradas
em um país por Deus abençoado!

Chicago, 9.01.10

Imagem: Extraída do Google brasileiro.

Escrito por Mariza Brasil às 17h31
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27/12/2009


Silenciosamente
(Para o meu neto Dylan DeAngelus)

Ele é feito de silêncio...
Farta dor raro riso,
em sua alma não contemplo
inferno, gozo ou compromisso.
Deus de estranho humor,
- aceitar é o que eu preciso -,
deu-me a riqueza de maior valor
e junto com ela o autismo.
Não escrevo com rancor,
é só pra dar voz ao mutismo,
com sombras em lápis de cor
estendo ao céu seu frágil grito.
 
Meriam Lazaro 
Nota: Poesia publicada com a devida autorização e, igualmente, na escrivaninha da poetisa, no Recanto das Letras, T1994298, no último dia 24.
Chicago, 27.12.09 
Todos os direitos reservados.
Imagem Extraída do Google norte-americano. 

 

 

Escrito por Mariza Brasil às 12h53
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02/12/2009


Desencontro das horas

Este desatino do instante, do vazio,
do desencontro das horas,
do momento que se eterniza,
ah, essas horas de desvario!
O delírio da esperança
que apressa a minh’alma a orar.
O desacerto dos passos
do longo dia que desmaia,
mas não termina,
me fala do descompasso dos ponteiros…
Até o tiquetaque está desordeiro.
 
A despeito do desvario,
espero, ao pé da porta,
a imagem dele sair do meu devaneio,
caminhar até a mim,
se achegar e confundir meus olhos
com a ilusão que é ele
em forma, feição, verdadeiro.
Tirar-me deste delirioso estado
no momento em que eu o sentir
beijando, novamente,
o meu corpo por inteiro.
 
 Chicago, 10/12/07

Imagem: Extraída do Google norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 01h31
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Provocação       

Quando vejo a tua figura na rua,
tenho ciúme dos olhares que te alcançam,
cobiçando serem donas de tudo que tu insinuas
visto que tens vida, alma e carisma
e tens também uma magia toda tua
que borbota da tua pele
quando andas pelas ruas.

Teu corpo movimenta e esquenta
aquela que para ti ousar olhar
e são tantos pensamentos que provocas
com o teu caminhar pelas ruas
que estou pronta a me declarar.

Desejo ser o par dessa pintura provocante
que caminha, acirrando os mais ardentes desejos,
deixando-me fraca, desorientada e abismada,
não sabendo mais o que fazer.

Por qual razão ages assim é difícil de entender
porque depois desapareces na esquina
fingindo que não sabes o quanto me provocas
para amanhã novamente voltares
e tudo eu sentir outra vez.

Rio, 17/04/02

Imagem: Obra de Garry Benfield, pintor norte-americano

Escrito por Mariza Brasil às 00h55
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09/10/2009


Insensatez

 

Um dia ela ousou a viver a vida,

dormindo e sonhando,

despida, no calor da noite,

com ele.

 

Anos depois, ainda extasiada,

ela continua a dormir e a sonhar

com a vida, na calmaria da noite,

e ao lado dele.

 

Ademais, com a mente vagando,

pensa no inevitável avanço da idade,

dias infindáveis, sossego,

as longas estradas que percorrerão juntos

e seu olhar armado de coragem,

antevê um final que lhe apraz:

Eles dois no sono eterno e, ela, em paz.

 

BH, 24/09/09

Imagem: Obra de Octavian Florescu.

Escrito por Mariza Brasil às 21h11
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28/11/2008


A farsa (Indriso)
 
Segredos, mentiras, corpos nus
mais a farsa de outros lábios
que não te deixam me ver daí.
 
O amor fingido e interessado
que te mantém aí, longe de mim…
Não te iludas com beijos assim!
 
O meu constante, de ti, distante.
 
Eu sem calor no peito. Sem ti!
 
Chicago, 3.04.08
Direitos autorais registrados.
Imagem: Obra de Pino, pintor italiano.

Escrito por Mariza Brasil às 01h26
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Amplitude (Indriso)
 
Através do meu peito arfante,
desabotoado, encalorado
e liberto de qualquer pudor,
 
te oferto minhas prendas
e te digo: São tuas. Eu as guardei
para ti, meu querido senhor!
 
Faze-as de teu alvo duradouro.
 
Toca-as com o teu amor!
 
Chicago, 25.11.08
Direitos autorais registrados.
Imagem: "Mulher na janela" - Pintura chinesa.

Escrito por Mariza Brasil às 01h26
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Discordância (Indriso)
 
A discordância de nossos lençóis,
caminhos, pontos de chegada
te retraem. Sê ousado e ligeiro!
 
Não te detenhas dos amanhãs
de nossos corpos aquecidos, enlaçados,
apaziguados e bastos de desejos.
 
Mãos, olhares, momentos e bocejos.
 
Tu e eu: o amor não passageiro.
 
Chicago, 26.11.08
Direitos autorais registrados
Imagem: Extraída do Google norte-americano.

Escrito por Mariza Brasil às 01h25
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Vestígios (poesia subliminar)
 
Sensações momentâneas.
Ocaso, um caso, desejos.
Vestígios de uma constância.
 
Sensações
ardidas me vêm das
momentâneas
visões de uma figura que o
ocaso
me traz e me agito.
Um
palpitar desinquieto retumba e revivo o
caso
de amor que findou, mas me deixou
desejos
intensos pelo vulto que me ronda,
vestígios
da mão dele em mim e a dor que me lancina
de
verdade e não querem ir-se daqui…
Uma
ausência doída que me oponho à sua
constância
e peço: Ai! Traga-o de volta para mim!
 
Chicago, 21.05.07
Direitos autorais registrados.
Imagem: "Suspiros" - Obra de Tomasz Rut, pintor polonês.

Escrito por Mariza Brasil às 01h23
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Estados Unidos, Illinois, Chicago, Mulher, de 56 a 65 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Jardinagem

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